Todos os
dilemas, ou os vícios e virtudes da poesia moderna e contemporânea, poderiam
ser resumidos ou ter sua origem num ponto apenas, que é o que concerne ao verso
livre. Embora seja um exagero insistir em dizer que o “ciclo histórico do verso
está encerrado”, parece ficar cada vez mais claro que o verso livre modernista
— que, diga-se de passagem, a maioria pratica ainda imperitamente, sem fazer
vacilar suas contradições e possibilidades constitutivas — experimenta um momento
de estagnação. Em artigo publicado recentemente, Paulo Franchetti estuda na
versificação contemporânea a “crise de verso” ou “crise do verso” na linguagem
de alguns poetas. De acordo com o crítico, tornou-se já prática consagrada a
“quebra arbitrária da frase, sem que se perceba na quebra mais do que o
desígnio de quebrar”. Há algum tempo, num artigo publicado em Sibila,
onde avaliava a cena das revistas literárias, me referi a esses poetas que
operam sobre o verso a partir tão-só do corte como “convencionais versemakers
da fratura, da fragmentação”. Para Franchetti, uma parcela da poesia de hoje
representa um “atestado de recusa do verso livre, ou de desconfiança nele como
eficácia poética”. Enquanto isso, irmandades de poetas apuram suas ferramentas
no aproveitamento acrítico desse verso fake resolvido na estabilidade de
uma sempre e afetada elipse sintática.
Extraído do site: http://www.poesiahoje.com/

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